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soro antiveneno perto de você
Pontos Estratégicos de Soro Antiveneno (PESA) — hospitais de referência para atendimento de acidentes por animais peçonhentos no Brasil.
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ⓘ O que significam os tipos de soro antiveneno?
Animais Peçonhentos
do Brasil
Informações baseadas em literatura científica e nas diretrizes do Ministério da Saúde sobre as principais espécies de interesse médico no Brasil.
Jararaca
Sul e Sudeste; mais abundante em áreas urbanas e periurbanas de SP, RJ, MG, PR e SC.
Soro Antibotrópico (SAB) ou Antibotrópico-Crotálico (SABC). Apenas por médico.
Proteolítico, coagulante e hemorrágico. Causa destruição tecidual, coagulopatia de consumo e pode evoluir para insuficiência renal aguda.
Responsável por cerca de 25–30% dos acidentes ofídicos anuais no Brasil (Sinan/SVS, 2023).
- Mantenha a vítima em repouso e calma.
- Imobilize o membro abaixo do nível do coração.
- Leve imediatamente ao PESA mais próximo.
- Leve a serpente morta ou foto para identificação.
- Não faça torniquete — agrava a necrose local.
- Não faça incisões, sucção ou cauterizações.
- Não dê álcool, café ou medicamentos sem prescrição.
- Não aplique ervas ou substâncias caseiras na ferida.
Cascavel
Centro-Oeste, Nordeste e partes do Sudeste e Sul; habita campos abertos, cerrado e caatinga.
Soro Anticrotálico (SAC) ou SABC. Mortalidade sem tratamento pode ultrapassar 70%.
Neurotóxico (crotoxina) e miotóxico (rabdomiólise sistêmica). Bloqueia a junção neuromuscular. Pouca reação local.
Picada pode ser pouco dolorosa. O quadro grave (fácies miastênica, insuficiência renal por mioglobinúria) instala-se horas depois.
- Transporte imediato ao PESA — mesmo sem dor intensa.
- Monitore a respiração — paralisia respiratória é possível.
- Não subestime a picada por ausência de dor local.
- Não faça torniquete, incisão ou sucção.
Surucucu-pico-de-jaca
Floresta Amazônica e Mata Atlântica úmida do Nordeste. Maior serpente peçonhenta das Américas — pode ultrapassar 3,5 m.
Soro Antilaquético (SAL) ou Antibotrópico-Laquético (SABL). Acidentes raros, mas potencialmente letais.
Proteolítico e coagulante, com efeito vagotônico adicional: bradicardia, hipotensão e diarreia.
Menos de 3% dos acidentes ofídicos, frequentemente em áreas remotas com acesso difícil ao atendimento.
- Buscar PESA com urgência máxima.
- Em áreas remotas, acionar SAMU (192) para orientação de remoção.
- Não faça torniquete, incisão ou cauterização.
Coral Verdadeira
Diversas espécies em todo o Brasil. Atenção: existem corais-falsas inofensivas de aparência similar.
Soro Antielapídico (SAE). Administração precoce — janela terapêutica estreita.
Neurotóxico pós-sináptico: inibe receptores nicotínicos de acetilcolina, causando paralisia flácida progressiva e risco de insuficiência respiratória.
Picada pouco dolorosa e sinais locais discretos. Quadro neurológico grave pode surgir horas depois — subdiagnóstico com desfecho fatal já foi documentado.
- Acionar SAMU (192) ou ir ao PESA imediatamente — mesmo sem dor.
- Vigilância rigorosa da função respiratória no hospital.
- Não espere os sintomas piorarem para buscar atendimento.
- Não confunda coral verdadeira com coral-falsa e ignore o acidente.
Escorpião-amarelo
Altamente urbanizado; predomina no Sudeste e Centro-Oeste. A espécie mais perigosa do Brasil. Reprodução por partenogênese — coloniza facilmente ambientes urbanos.
Soro Antiescorpiônico (SAEsc) ou Antiaracnídico (SAAr). Casos moderados e graves, especialmente crianças menores de 7 anos.
Ativa canais de sódio voltagem-dependentes → tempestade adrenérgica com liberação maciça de catecolaminas. Pode causar edema agudo de pulmão e choque cardiogênico.
Principal causa de morte por animais peçonhentos no Brasil. Mais de 180.000 acidentes registrados em 2022 (Sinan/MS). Crianças têm mortalidade significativamente maior.
- Procure PESA imediatamente — especialmente crianças, idosos e cardiopatas.
- Compressa morna local alivia a dor durante o transporte.
- Monitore sinais vitais.
- Não subestime crianças com picada de escorpião — é emergência pediátrica.
- Não aplique garrote, incisão ou remédios caseiros.
- Não use gelo local — pode piorar a dor neuropática.
Escorpião-marrom
Sul, Sudeste e partes do Nordeste e Centro-Oeste. Ambientes rurais e periurbanos; habita entulho, telhas e vegetação densa.
SAEsc ou SAAr nos casos moderados/graves. Geralmente menos severo que T. serrulatus, mas perigoso em crianças.
Similar ao T. serrulatus, porém com toxicidade sistêmica menor. Quadros graves são menos frequentes, mas possíveis.
Coloração marrom-avermelhada mais escura que T. serrulatus. Identificação precisa requer especialista.
- Procure PESA — especialmente se a vítima for criança.
- Compressa morna pode aliviar a dor local.
- Não ignore sintomas sistêmicos como vômitos e taquicardia.
Aranha-armadeira
Presente em todo o Brasil; frequente em áreas urbanas do Sudeste e Sul. Encontrada em caixas de sapato, roupas e cachos de banana.
Soro Antifoneútrico (SAFon) ou SAAr nos casos moderados e graves, especialmente em crianças.
Neurotóxico: ativa canais de sódio e cálcio → liberação excessiva de neurotransmissores. Em homens adultos pode causar priapismo doloroso.
Maior número de acidentes graves por aranha no Brasil. Em adultos saudáveis a maioria é leve; em crianças o risco é significativamente maior.
- Vá ao PESA — crianças têm prioridade máxima.
- Leve a aranha morta (com segurança) para identificação.
- Lave o local com água e sabão.
- Não aplique torniquete ou incisão.
- Não use analgésicos sem orientação médica.
Aranha-marrom
Sul e Sudeste; maior prevalência em Curitiba (PR). Habitam locais escuros e secos: atrás de móveis, rodapés, porões.
Soro Antiloxoscélico (SALox) ou SAAr. Administração precoce — quanto antes, menor a extensão da necrose.
Dermonecrólise pela esfingomielinase D: ativa complemento, recruta neutrófilos e causa necrose cutânea progressiva. Forma hemolítica sistêmica é rara, porém grave.
A picada costuma ser indolor. A lesão progride de placa eritematosa para úlcera necrótica em dias — diagnóstico frequentemente tardio.
- Procure PESA mesmo sem dor intensa — diagnóstico precoce é fundamental.
- Leve a aranha morta ou foto para identificação.
- Não espere a lesão resolver sozinha — a necrose é progressiva.
- Não aplique pomadas ou substâncias caseiras na ferida.
Viúva-negra
Nordeste, Sudeste e partes do Sul. Habita cercas, muros, plantas baixas e entulho em áreas rurais e periurbanas.
SAAr nos casos graves (raros no Brasil). A maioria responde a analgesia e suporte.
α-latrotoxina: liberação maciça e irreversível de neurotransmissores (latrodectismo) → espasmos musculares e dor generalizada.
Acidentes menos frequentes no Brasil que em países temperados. Casos letais são raros. L. geometricus é mais comum no Brasil que L. mactans.
- Procure atendimento médico para analgesia adequada.
- Crianças e casos graves devem ir ao PESA.
- Não confunda a rigidez abdominal com abdome cirúrgico — informe o médico sobre a picada.
Taturana / Lonomia
Sul e Sudeste, especialmente RS, SC e PR. Surtos sazonais no outono/inverno em área rural. A lagarta (não a mariposa adulta) é a fase perigosa.
Soro Antilonômico (SALon) — único tratamento eficaz. Produzido exclusivamente pelo Instituto Butantan.
Espículas liberam enzimas ativadoras da coagulação (fator X e protrombina) → CIVD e hemorragias sistêmicas. Pode ser fatal por hemorragia intracraniana.
Contato causa ardor local leve — a síndrome hemorrágica instala-se horas a dias depois. Subdiagnóstico é frequente.
- Procure PESA mesmo que o contato pareça leve — a síndrome hemorrágica é diferida.
- Informe o médico sobre o contato com lagarta peluda.
- Não use AAS, anticoagulantes ou anti-inflamatórios — agravam o sangramento.
- Não ignore o contato por ausência de sintomas imediatos.
Raia / Arraia
Raias de água doce em rios da Amazônia, Cerrado e Pantanal. Raias marinhas em toda a costa. Principal causa: pisar sobre o animal em águas rasas.
Não existe soro específico. Tratamento: imersão em água quente (45–50°C), analgesia e antibioticoterapia.
Ferrão serrilhado inocula veneno proteico hemolítico, cardiotóxico e necrosante. A lesão mecânica pode ser extensa.
Infecção bacteriana grave (Aeromonas, Vibrio) é complicação frequente e potencialmente fatal.
- Imersão imediata em água quente (45–50°C) por 30–90 min — inativa o veneno e alivia a dor.
- Remover fragmentos do ferrão com pinça, se visíveis.
- Buscar atendimento médico para limpeza cirúrgica e antibioticoterapia.
- Não use água fria — não inativa o veneno.
- Não remova ferrões profundos sozinho — risco de lesão vascular.
Abelhas e Vespas
Todo o Brasil. A abelha africanizada é extremamente agressiva quando a colmeia é perturbada. Ataques em massa são a principal causa de mortalidade por himenópteros no Brasil.
Não há soro específico. Suporte clínico e adrenalina IM (0,3–0,5 mg) em anafilaxia.
Melitina e fosfolipase A2: citotóxicos, hemolíticos e cardiotóxicos em grandes doses. Mais de 500 ferroadas podem ser letais. Uma ferroada pode causar anafilaxia fatal em sensibilizados.
Dois grupos: (1) qualquer pessoa em ataque em massa; (2) indivíduos com alergia prévia — uma ferroada pode ser suficiente para choque anafilático.
- Fuja imediatamente para ambiente fechado.
- Remova ferrões raspando com cartão — não aperte.
- Em anafilaxia: adrenalina IM e acione SAMU (192).
- Mais de 10 ferroadas em crianças ou 20 em adultos: ir ao pronto-socorro.
- Não agite os braços — aumenta a agressividade do enxame.
- Não pule em água — abelhas aguardam na superfície.
Sobre o site
O que é este site?
Peçonhentos — Onde tem soro é uma ferramenta de informação pública sobre acidentes por animais peçonhentos no Brasil, com duas funções: ajudar a localizar hospitais com soro antiveneno (PESA) via Google Maps e oferecer informações científicas sobre as principais espécies de interesse médico.
Fontes dos dados — hospitais
Os dados dos hospitais de referência (PESA) são provenientes do Ministério da Saúde. A lista pode estar desatualizada — em emergências, confirme sempre pelo SAMU (192).
Fontes das informações científicas
As informações sobre espécies baseiam-se em publicações científicas revisadas por pares e documentos oficiais, incluindo o Manual de Diagnóstico e Tratamento de Acidentes por Animais Peçonhentos (Ministério da Saúde, 2ª ed., 2001), dados do SINAN/SVS e artigos indexados no PubMed/MEDLINE (referências específicas ao final de cada ficha de espécie).
Limitações
A taxonomia de animais peçonhentos está em constante revisão; nomes científicos podem ter sido atualizados após as fontes aqui utilizadas. Os dados epidemiológicos refletem os anos de publicação indicados. A conduta clínica deve sempre ser definida por profissional de saúde com base na avaliação individual.
Sugestões e correções
Para correções científicas ou atualização de dados hospitalares, contribuições técnicas são bem-vindas para manter este recurso útil e preciso.